Recuperar estradas, regularizar o abastecimento d’água, atrair empreendimentos e combater a criminalidade. Essas foram as principais medidas analisadas na primeira audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa do Desenvolvimento da Mata Norte da Assembleia Legislativa. O evento, promovido em Carpina, na última quinta, lotou o auditório da Escola Técnica Estadual Maria Eduarda Ramos de Barros. Prefeitos, vereadores e sociedade civil organizada sugeriram medidas para dinamizar a economia da região.
O coordenador da Frente Parlamentar, deputado Antônio Moraes, do PP, destacou a necessidade de atrair empreendimentos para reverter o empobrecimento da Mata Norte: “No passado, nós fomos uma região muito rica, a gente tinha aqui mais de 15 usinas, hoje a gente tem apenas quatro. A gente tem uma densidade populacional muito grande e não tem emprego. Então, não há nenhuma dúvida hoje que tanto a Zona da Mata Norte quanto a Zona da Mata Sul são as regiões mais pobres de Pernambuco.”
Segundo o parlamentar, o colegiado busca entender porque o “pico de desenvolvimento” obtido em Goiana, com a vinda da fábrica da Jeep, não se repetiu nos municípios vizinhos. Antônio Moraes lembrou que a região foi beneficiada pela duplicação da BR-408 e pelo gás natural como alternativa energética para as indústrias. Mas as empresas fornecedoras do polo automotivo optaram por Igarassu, Itapissuma e Abreu e Lima, na Região Metropolitana.
Prefeitos de municípios da Mata Norte apresentaram demandas aos deputados. Eduardo Honório, à frente da gestão de Goiana, defendeu a construção do Arco Viário Metropolitano. O gestor acredita que a obra é essencial para consolidar a vinda de novos empreendimentos. O prefeito de Vicência, Guilherme Nunes, direcionou apelo à Compesa. Ele pediu que as tubulações da Barragem do Siriji sejam reparadas. “Sem água ninguém faz nada. Água é vida, água é tudo. Para atrair indústrias, para atrair empresas tem que ter água também. É o primeiro requisito logo que uma empresa quando vem se instalar pergunta: tem água?”
O prefeito de Macaparana, Paulo Barbosa, solicitou à Compesa a construção de uma barragem. Representando Nazaré da Mata, o prefeito Inácio Manoel do Nascimento, conhecido como Nino, também apontou a regularização do abastecimento d’água como uma das prioridades.
Vereadores da Mata Norte também marcaram presença. O presidente da Câmara Municipal de Ferreiros, Glicelio Pontes, citou a urgência de uma operação tapa-buraco na PE-82: “Pelo amor de Deus… nos socorram… Eu vinha com um assessor meu na Câmara e eu vinha dizendo a ele que eu nunca vi Timbaúba tão distante de Ferreiros como agora. Eu não consigo colocar 50Km no meu carro.”
Integrante da Frente Parlamentar em Defesa da Mata Norte, o deputado Henrique Queiroz Filho, do PP, lamentou que problemas com o abastecimento d’água e com as estradas continuem sendo a pauta da região. Mas o parlamentar destacou as oportunidades de trabalho para os jovens no setor sucroenergético e no polo automotivo. O deputado Joaquim Lira, do PV, comentou o desafio de representar politicamente a região. O parlamentar explicou que as soluções de infraestrutura e empregabilidade existem, mas demoram a chegar na Mata Norte, em comparação com o Agreste e o Sertão.
Representando o Governo do Estado, o gerente de Articulação Regional da Casa Civil, Nado Coutinho, afirmou que a gestão está empenhada em trazer desenvolvimento para a Mata Norte: “Criar o ambiente, oferecer os incentivos, para que as empresas se interessem em vir para a nossa região. Claro, logicamente, nós não vamos poder colocar um polo industrial em cada cidade, não sei…se for possível, melhor.”
A Frente Parlamentar vai elaborar um documento com as reivindicações, a ser entregue à governadora Raquel Lyra. O relatório deve conter demandas como a de Bruno Ferraz, coordenador de projetos do Serta, Serviço de Tecnologia Alternativa, que pediu apoio ao curso técnico em agroecologia. “Que há quase 15 anos forma e já formou mais de três mil jovens técnicos em agroecologia em todo o Estado de Pernambuco, no Nordeste inteiro, no Brasil, pessoas de outros países vem participar da nossa formação.”
As próximas audiências públicas do colegiado da Alepe estão previstas para as cidades de Goiana e Timbaúba, ainda sem data marcada.
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